Rugby & cultura

Haka dos All Blacks: Ka Mate, Kapa o Pango e suas origens Māori

Entenda as diferenças entre os haka dos All Blacks, quem os criou e o que observar antes de uma partida.

Jogadores dos All Blacks alinhados no gramado durante o haka, em Milão, em 2009.
All Blacks apresentam o haka em Milão, em 2009. Foto: Alessio Bragadini · CC BY-SA 2.0
Ka MateTe Rauparaha · Ngāti Toa
Kapa o PangoDerek Lardelli · 2005
Para assistirVídeos nos canais oficiais

O que é haka

Haka é uma expressão Māori que combina voz, movimento e presença coletiva. Pode comunicar identidade, acolhimento, desafio, homenagem e outros sentidos ligados à ocasião. Descrevê-lo apenas como uma “dança de guerra” deixa de fora essa diversidade.

No rugby, o haka cria um momento de união antes da partida e conecta quem veste a camisa à história e à terra que representa. O espetáculo visto na televisão é uma porta de entrada para uma tradição cultural mais ampla, que também existe fora dos estádios.

Ka Mate: uma história anterior aos All Blacks

Ka Mate foi composto por Te Rauparaha, líder de Ngāti Toa, no início do século XIX. O relato apresentado por Mīria Pōmare na Te Ara associa sua criação a um episódio em que Te Rauparaha escapou da morte. A ideia central é a passagem do perigo para a sobrevivência, celebrando a vida.

A composição não nasceu para uma seleção esportiva. Sua ligação posterior com o rugby tornou-a conhecida internacionalmente, mas não apaga a autoria e o vínculo com Ngāti Toa. Ao aprender sobre Ka Mate, começar pela sua origem muda a maneira de assistir à apresentação.

Kapa o Pango: criado para a equipe

Kapa o Pango foi composto por Derek Lardelli, de Ngāti Porou, em colaboração com os All Blacks. A estreia aconteceu em 2005, antes do jogo contra a África do Sul em Carisbrook, Dunedin, com Tana Umaga como capitão.

Criado especificamente para a seleção, faz referência à equipe de preto, à terra e à samambaia prateada. Ele passou a integrar o repertório ao lado de Ka Mate. Não existe uma regra pública simples que permita ao torcedor prever qual dos dois será escolhido em cada partida.

Como distinguir os dois

Haka Origem Relação com a seleção
Ka Mate Te Rauparaha, Ngāti Toa; início do século XIX Composição histórica posteriormente associada ao rugby
Kapa o Pango Derek Lardelli, Ngāti Porou; estreia em 2005 Criado em diálogo com a identidade dos All Blacks

Na página oficial de cada haka há apresentações e explicações. Assista com atenção ao ritmo, às palavras e à coordenação do grupo. Prefira essas explicações a traduções soltas que tratam todo gesto como ameaça literal. Aqui, os vídeos são abertos no canal oficial pelo link, sem reprodução automática.

Outras equipes têm outros haka

As Black Ferns apresentam Ko Uhia Mai, enquanto os Māori All Blacks têm Te Tīmatanga. A existência desses repertórios ajuda a perceber que “o haka da Nova Zelândia” não é uma única composição que todas as equipes repetem.

Conheça também as Black Ferns e o rugby sevens e o mapa das equipes. A identidade de cada grupo faz parte da história do rugby do país.

Como apreciar durante a viagem

No estádio, procure chegar com antecedência para estar no seu lugar antes da cerimônia pré-jogo. Observe o momento inteiro e respeite quem está ao seu redor. Em uma experiência cultural guiada, siga as orientações de quem recebe o grupo; aprender movimentos em um contexto de ensino é diferente de usá-los como caricatura.

Para aprofundar a visita, procure explicações de autores e anfitriões Māori. A All Blacks Experience pode complementar o interesse pelo esporte, enquanto uma visita cultural oferece uma perspectiva mais ampla do país.

PARA CONSULTAR

Fontes e links úteis

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